A
verdadeira origem do Ponto de Arraiolos (ou ponto
cruzado oblíquo), que é uma variante do ponto cruz, ainda hoje é
considerada um
mistério, sabendo-se no entanto que foi divulgado na Península Ibérica
pelos
mouros.
Julga-se
que a técnica dos bordados de Arraiolos
tenha sido iniciada após 1496, com a chegada dos mouros a esta vila. A
presença
muçulmana em território português nomeadamente, no actual espaço da
vila de
Arraiolos, trouxe novas técnicas, que em acréscimo à tradição da
população em
tecelagem (como, cardação, fiação e tingimento das lãs e fabricação das
telas),
terá culminado no que é hoje o tapete de Arraiolos. Esta troca de
ideais terá
favorecido o comércio entre a população indígena e a sociedade
islâmica, tanto
de matéria-prima como de produtos já terminados.
Embora, os tapetes de Arraiolos mais antigos
sejam datados de meados do
século XVII, sabe-se que é preciso um longo prazo para que uma técnica
atinja o
seu apogeu, supondo-se que por essa época a manufactura dos tapetes de
Arraiolos já estaria bastante desenvolvida na hoje vila de Arraiolos.
À
parte da técnica de fabricação, no que diz respeito à organização
pré-decorativa dos tapetes, as regras e princípios adoptados são
originários da
Pérsia, no entanto as decorações não têm esta origem.
Actualmente podemos
encontrar Tapetes bordados com
os mesmos motivos usados no século XVII, como por exemplo o Correntes e
o
Anjos, ou no século XVIII, como é o caso do Seminário, já no século XIX
temos o
Flores, o Bonecos e o Setiais. No entanto, uma panóplia de novos
motivos têm
surgido, mas no fundo o fundamental é manter a técnica de bordar
intacta para
que se evite perder este ícone cultural, como a arte de bem bordar os
originais
tapetes de Arraiolos pelas preciosas mãos das Tapeteiras desta zona.
Fonte:
F. Baptista de
Oliveira – História e Técnica dos Tapetes de Arraiolos, 1983